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Gonçalo Waddington e
Tiago Rodrigues são dois cozinheiros criativos que dirigem o restaurante Cópia, em Lisboa.
Costumam dizer que a descoberta de um novo prato contribui mais para a felicidade dos seres humanos do que a descoberta de uma nova estrela. Mas quando tentam inventar juntos a receita que lhes pode conquistar a primeira estrela Michelin, o confronto é inevitável. Um espectáculo sobre a arte e a ciência da cozinha, sobre a insatisfação permamente e o espírito inventivo de dois cozinheiros que acabam por descobrir que um prato conta sempre a história de quem o cozinhou.»
Na sexta-feira aceitei o convite da
Isabel e lá fomos nós, com o Luís, a
Suzana, o Pedro e o Ricardo ao teatro. Ver no palco reproduzida a azáfama de uma cozinha profissional e consequentemente uma história e diálogos à volta da comida, foi o suficiente para que eu não quisesse perder esta peça.
Como é referido na sinopse, a acção passa-se na cozinha do restaurante Cópia, em Lisboa, onde se assiste, por parte da brigada do restaurante, à confecção de um menu:
Miminhos dos Chefs - vieiras coradas com espuma de cenoura e gengibre;
Texturas de Gaspacho - gelatina de gaspacho vermelha, gaspacho líquido e espuma de gaspacho;
Índico - espetada de camarão de Moçambique com gelatina de funcho braseada e ar de marisco;
Escamas Martín - escamas de salmonete crocantes com ar de peixe e legumes verdes;
Outonal - risotto com magret de pato e seu molho;
Mentira de carnes - variações sobre a alheira: areias, crocantes, gelatinas e gelado;
Silvestre - panacotta de pimenta
longue com creme de framboesas silvestres e gelado de rosas.
Ao longo do desenrolar dos diálogos vamos percebendo que os chefs Gonçalo e Tiago olham para o mundo dos sabores de maneira diferente. Um valoriza os produtos em si, a qualidade e a origem, enquanto o outro aposta no resultado final, nas fórmulas e na cozinha molecular ou científica. Este é o ponto de discórdia que conduz a uma discussão entre os dois, ao longo da peça.
Gostei dos diálogos e dos momentos de humor, do cenário, de ver ao vivo a confeccção de todo o menu, surpreendi-me com a confeccção das escamas de salmonete, gostei das referências a grandes cozinheiros, a técnicas e da presença do compêndio de cozinha
Food and Cooking de
Harold McGee. Foi interessante ver os intérpretes a utilizarem azoto líquido e a empratarem as suas criações/experiências. No entanto, houve momentos em que achei a discussão cansativa e o recurso a excessos de linguagem usados durante demasiado tempo. Na representação, destaca-se a interpretação de Gonçalo Waddington.
Em busca da nossa felicidade, assim que acabou o teatro, rumámos para o restaurante
Fábulas, no Chiado. O local é muito agradável, as paredes são de pedra e algumas das mesas são máquinas de costura antigas. Pedimos uma garrafa de vinho tinto e tostas de pão de sementes com pasta de azeitona, queijo de cabra e rúcula acompanhadas com salada de alface e tomate cereja. Humm ... uma noite de sexta-feira muito bem passada.